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A influência do brincar

       Em algum momento da nossa vida iremos olhar para o passado e refletir sobre ele. O quanto certos momentos nos marcaram, o crescimento psicológico que muitas atitudes despertaram ou até mesmo a influência que certos acontecimentos tiveram para sermos aquilo que somos hoje. Todos passamos por um ciclo, que se inicia no nosso nascimento e apenas termina na nossa morte. A verdade é que, quando fomos crianças uma das coisas que nos dava mais prazer era brincar, mas por vezes a brincadeira, o jogo, a diversão era posta de parte pois aos olhos dos adultos, a única preocupação era o futuro.

Tenho a sensação que, por vezes, olhamos para as crianças de forma errada. Quero com isto dizer, que olhamos para elas como se fossem “ pequenos adultos”, privando-as de fazer tudo o que anseiam na sua infância. De facto, todos já passamos por aquela fase de ingenuidade e curiosidade que se segue logo após ao nosso nascimento. A altura ideal para explorar o mundo que nos rodeia e ficarmos a saber “ o porquê das coisas”. Não é por acaso que as crianças, na sua maioria, passam dias e noites a perguntar “ Porquê?”. São curiosas e precisam de explorar o mundo para responderem às suas próprias questões. O que pretendo abordar em primeiro lugar, centra-se sobretudo na Criança e nas suas brincadeiras como atividades enriquecedoras para o seu desenvolvimento. Assim, começo por falar de alguns benefícios a que o brincar pode conduzir.

        É evidente que o simples facto de brincar exercita aspetos fundamentais que valem para toda a vida da criança. Comunicação verbal, não-verbal, resolução de conflitos, trabalho de equipa são algumas das vastas competências que a brincadeira estimula. Isto, como aceitar a decisão dos outros colegas e abrir mão das suas próprias convicções. Decerto, o ato de brincar pode se tornar uma maneira da criança exteriorizar a sua energia, para de seguida dar privilégio à concentração, como é exemplo o estudar. Se observarmos atentamente as brincadeiras de uma criança, podemos aperceber-nos que esse pode ser um ato de comunicação, por outras palavras muitas vezes as crianças utilizam os jogos e os brinquedos como refugio onde projetam os seus medos, inseguranças e ansiedade. Deste modo, estas atitudes permitem que as pessoas que as observam de fora, sejam os pais, educadores, psicólogos ou pedopsiquiatras, por exemplo, possam tomar algumas atitudes face à criança e como ela se sente.

Todavia, uma das maneiras eficazes de despertar a atenção da criança, é fazer algo com a qual ela se identifica. Qualquer coisa que possa despertar do seu interior a emoção, a ansia de realizar algo ou alguma atividade. E, muitas vezes, basta apenas dizermos “ Podes ir brincar” para que um sorriso rasgado surja inesperadamente.

         Além disso, existem vários brinquedos, onde é exemplo os Legos, que podem dar asas à criatividade. Lembro-me, precisamente, que quando andava na pré-primária havia sempre um menino chamado João, que apenas brincava com Legos. Construi-a casas, arranha-céus, hospitais, escolas…Enfim, inúmeros edifícios que na sua imaginação não eram construções que já tinha observado mas sim criações apenas suas. Era isto essencial para poder expressar-se em complemento de todos os desenhos que nos era proposto fazer. Este menino cresceu, e hoje apesar de ter seguido estudos de outro ramo, continua a ter a ansia de um dia construir o seu próprio matrimónio.

O corpo é também uma das partes exploradas pelo brincar. Não falo apenas do nosso próprio corpo mas também do das demais crianças que nos rodeiam. Saber que gostamos mais de correr e saltar do que permanecer sossegados no mesmo local são aspetos que nos fazem reconhecer quem somos enquanto seres humanos que se aceitam tal como são, gerando assim autoconfiança. Para além disso, as atividades motoras são essenciais para o desenvolvimento da psicomotricidade, ou seja, motricidade fina (movimentos de precisão) ou grossa (controlo corporal) da criança. Por esta razão, e por muitas outras que não abordei, se deve dar importância às brincadeiras e aos jogos. Quando joga, nem sempre a criança saí vitoriosa no final e é nesta altura que aprende não só a perder como a respeitar o outro.

         De facto, existem inúmeros benefícios que o brincar pode trazer para o desenvolvimento de uma criança. Como é referido no livro O Mundo da Criança (Papalia, 2009), “As crianças precisam de tempo suficiente para as brincadeiras exploratórias livres. As brincadeiras são importantes para o desenvolvimento saudável do corpo e do cérebro. Possibilitam que as crianças se engajem no mundo em torno delas, soltem a imaginação, descubram maneiras flexíveis de usar objetos e resolver problemas e se prepararem para os papéis de adultos.”

         Em suma, realço, sobretudo, atenção para o facto das crianças se envolverem em brincadeiras pelo puro prazer que estas lhe oferecem, pois a meu ver é o mais importante para que tirem proveito de todos os benefícios que o Brincar pode proporcionar.

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(Jéssica Carvalho, 2020)

                                                                                                                         

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A fotografia é da autoria de Jéssica Carvalho.

Edição: Trabalho colaborativo

Slogan: Trabalho colaborativo

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